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Telhados verdes são relevantes para certificação de construções sustentáveis?

Unisinos Ecotelhado e Jardim Vertical Mamute versao linkedin

Campus Unisinos em Porto Alegre tem soluções sustentáveis

Construir de modo sustentável parece ser uma boa aposta – e os telhados verdes são fundamentais para isso. Mesmo diante dos desafios econômicos e políticos do país, o crescimento da construção sustentável segue, e investir neste segmento não é bom somente para a imagem das empresas: financeiramente, é vantajoso – é o que aponta o estudo publicado neste ano pelo GBCBrasil, e divulgado no blog dos nossos parceiros,  comparando o desempenho de mercado dos empreendimentos comerciais certificados e não certificados no país.

Trago a discussão sobre o impacto desta tecnologia na valorização dos imóveis – e a forma mais confiável para se medir isso é através dos programas de certificação de desempenho ambiental.

Atualmente existem no Brasil 5 sistemas de certificação conectados ao mercado de construção civil, são eles:

1- Certificação LEED (Leadership in Energy and Enviromental Design): Tendo como origem o norte americano, este é o sistema para certificação e orientação ambiental para edificações mais utilizado no mundo hoje em dia. Utilizado em 143 países, tem alta influência no mercado de construção civil. Quem confere as certificações no país é o Green Building Council Brasil (GBCB), braço da ONG internacional criado no Brasil em março de 2007 para auxiliar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável no país.

2- Selo Procel Edifica: O Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações – Procel Edifica – foi instituído em 2003 pela Eletrobras/Procel e atua de forma conjunta com o Ministérios de Minas e Energia, o Ministério das Cidades, as universidades, os centros de pesquisa e entidades das áreas governamental, tecnológica, econômica e de desenvolvimento, além do setor da construção civil. O Selo Procel Edificações, é um instrumento de adesão voluntária que tem por propósito identificar as edificações que apresentem as classificações mais superiores de eficiência energética em uma dada categoria.

3- FSC Brasil: Apesar de não ser um sistema de certificação de obra propriamente dito, o selo FSC tem importância crucial para redução dos impactos negativos da cadeia da construção civil no Brasil – responsável pelo consumo de mais de 60% de toda madeira derrubada na Amazônia. O FSC (Forest Stewardship Council) é uma organização independente, não governamental, sem fins lucrativos, criada para promover o manejo florestal responsável ao redor do mundo. O conceito da certificação FSC surgiu para instigar a compra de materiais e produtos à base de madeira proveniente de manejo responsável das florestas. Hoje, a instituição é uma das que mais tem credibilidade quando se trata de certificar a origem sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros provenientes do bom manejo florestal.

4- Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal: a Caixa criou uma classificação socioambiental para os projetos habitacionais que financia. O Selo Casa Azul é a forma que o banco encontrou de promover o uso racional de recursos naturais nas construções e a melhoria da qualidade da habitação. O principal propósito é reconhecer projetos que adotam soluções eficientes na construção, uso, ocupação e manutenção dos edifícios.

5- Certificação AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental): O Processo AQUA-HQE é uma certificação internacional da construção sustentável desenvolvida a partir da certificação francesa Démarche HQE (Haute Qualité Environmentale) e aplicada no Brasil a partir de 2008 pela Fundação Vanzolini. Mantendo a base conceitual francesa, a certificação brasileira foi adaptada para a realidade de normas e práticas do país.

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Telhado verde integrado com as placas fotovoltaicas

Porém, um Ecotelhado é capaz de impactar fortemente qualquer sistema de certificação ambiental, pois diferente de outras tecnologias, atua simultaneamente em diversos eixos de sustentabilidade. É o que chamamos de impacto sistêmico.

O telhado verde é um dos itens que mais contribuem para obter o LEED e nenhuma ação sozinha pontua tanto como sua instalação. A novidade é que, com outras tecnologias integradas, é possível chegar a pontuar nas sete dimensões da certificação, na perspectiva do selo LEED. Segundo análises de consultoria, ele (aliado a outras tecnologias, como a fotovoltaica e utilização de horta) contribui significativamente para conquista de 28 pontos em 7 créditos diferentes, mais da metade dos créditos necessários para a certificação mínima, são eles:

– Espaços abertos;

– Manejo de água da chuva;

– Redução de ilhas de calor;

– Redução de consumo de água em áreas externas;

– Performance energética;

– Conforto térmico;

– Produção local de alimentos.

No selo LEED, para obter a certificação mínima, são necessários pelo menos 40 pontos, 50 pontos para o selo Silver, 60 pontos para o selo Gold, e 80 pontos ou mais para o selo Platinum.

A ideia da empresa Ecotelhado, é de ampliar os benefícios do teto verde. A empresa já começou a instalar telhados com cisterna para captação de água da chuva. É o caso de um prédio localizado na Faria Lima, em São Paulo, que obteve a certificação LEED com a somatória da pontuação da cobertura verde. Ele também pode ser integrado a placas fotovoltaicas para captação de energia solar, e ter iluminação embaixo do telhado, com um piso transparente e além de que é possível plantar outras espécies no telhado, apenas adicionando um pouco mais de substrato, estabelecendo diversos microclimas nos telhados das cidades.

“O telhado verde conquistou seu espaço, mas hoje precisamos ir além dos benefícios iniciais que priorizavam o conforto térmico. A grande preocupação é a questão da água. Precisamos ter um telhado verde capaz de se irrigar e de fazer o reuso. Inovamos neste sentido”, diz João Manuel Feijó, um dos diretores da empresa.

Também propuseram em fazer o tratamento dos resíduos orgânicos das edificações. A água pode ser tratada internamente por meio de um sistema biofílico e armazenada na cisterna do telhado verde, ampliando sua reserva e sendo bastante eficaz em épocas de seca. “Não dá para pensar em construção sustentável e arquitetura verde sem incorporar o telhado verde e aproveitá-lo de forma mais eficiente”, ressalta João.

Então, dado os fatos, a conclusão é que o telhado verde chega a contribuir com mais da metade da pontuação mínima necessária e, portanto, ajuda bastante neste processo, e esse resultado faz todo sentido, justamente por ter esse caráter sistêmico que esta tecnologia proporciona.

 

Referências | Brasil Engenharia; GBC Brasil; Iclei; Isto É; Instituto Cidade Jardim

ESTOCOLMO JÁ TEM SEU PRIMEIRO BAIRRO SUSTENTÁVEL – DESDE OS ANOS 90 – 

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A história do bairro Hammarby Sjöstad, em Estocolmo, apresenta muitos contrastes. Se antes esta região era muito poluída pelas indústrias, fato que ocasionou seu esvaziamento, hoje ela é considerada o primeiro bairro sustentável da cidade. Saiba como isso foi possível, a seguir.

Tudo começou nos anos 1990 com a notícia de que Estocolmo poderia se tornar sede dos Jogos Olímpicos de 2004. No entanto, a votação do Comitê Olímpico realizada em 1997 elegeu Atenas como sede, e a capital sueca, que chegou entre as cinco finalistas, deu prosseguimento aos seus planos.

Um destes consistia em recuperar esta região para a construção 10 mil habitações, tirando proveito de sua proximidade com o centro da cidade e com a água. Por este motivo, a grande maioria dos edifícios está orientada para o Canal Sickla.

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A estratégia de planejamento da prefeitura, em colaboração com arquitetos, engenheiros e urbanistas, consistia na criação de um “circuito fechado de metabolismo urbano”, que, segundo as informações de uma pesquisa sobre o bairro, significava a construção de sistemas sustentáveis para a água, energia e resíduos.

Assim, cada setor conta com um sistema em que as águas residuais são convertidas em biogás e termoenergia, que é então reutilizada no sistema público de calefação e como combustível para o transporte público. Os resíduos sólidos deste processo são convertidos em fertilizante.

Além disso, a maioria dos edifícios conta com painéis fotovoltaicos em suas coberturas, suprindo a demanda por eletricidade e, em parte, aquecimento.

A sustentabilidade também está presente nas ruas. Em diversos pontos do bairro estão instalados recipientes para a separação de resíduos que contam com tubulações subterrâneas que levam a matéria sólida a um terminal específico para cada tipo de resíduo.

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Da mesma forma, os espaços públicos foram distribuídos linearmente para promover um estilo de vida saudável. Assim, praças e parques são misturados por edifícios, levando as pessoas a andar entre eles com a opção de chegar a uma reserva natural protegida, que preserva a fauna local.

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Junto a esta infraestrutura, a prefeitura pesquisou novos projetos de transporte alinhados ao espírito do bairro. Nesse sentido, estão em funcionamento ônibus que funcionam com biogás, um sistema de automóveis compartilhados e uma linha de bondes que continua se expandindo.

Os resultados destes projetos de transporte causam um impacto positivo nos habitantes do bairro, que é exemplificado pela baixa taxa de automóveis por habitação de apenas 0,5%.

Ao fim da segunda etapa desse projeto de requalificação urbana – e até agora considerada a última fase – prevista para este ano, a prefeitura espera que o bairro conte com 11 mil unidades habitacionais onde viverão cerca de 25 mil habitantes.

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Referências: Archdaily; Plataforma Urbana.

Texto * | Catarina Schmitz Feijó

NUVENS DE SUJEIRA ENVOLVEM CIDADES ASIÁTICAS: “VOCÊ NÃO PODE ESCAPAR”

Este ano tem visto alguns dos piores episódios de poluição atmosférica urbana da Ásia em quase 20 anos, com a poluição do ar da Índia, ela sobre passa os níveis registrados na China.

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De acordo com o oficial de notícias, a poluição do ar já matou mais de 400 pessoas em Teerã nas últimas duas semanas. Fotografia | Abedin Taherkenareh EPA

O ar de inverno em Teerã é poluído, mas durante seis dias na semana passada, dificilmente era respirável. A poluição química densa e venenosa composta de tráfego e das fábricas de fumo, misturado com pó de construção, a vegetação queimada e os resíduos envolta dos edifícios, engasgou pedestres, forçou escolas e universidades a fechar, e encheu os hospitais.

Qualquer um que pode fugir da mega-cidade do Irã, de 15 milhões de pessoas tem feito isso, mas, dizem as autoridades, nas últimas duas semanas mais de 400 pessoas morreram como resultado direto da poluição, conhecido como a “Ásia nuvem marrom”.

Teerã está longe de estar sozinho. Uma combinação de condições atmosféricas, geográficas e do início da temporada de inverno, regularmente diminui a poluição do ar urbano de outubro a fevereiro em uma grande fatia da Ásia. Mas este ano, se tem visto alguns dos piores episódios de poluição atmosférica em quase 20 anos, apesar das cidades tentarem reduzir as emissões de tráfego e de fábrica.

Como as temperaturas caem e as pessoas voltam a queimar resíduos para se aquecer, os níveis de poluição excedeu 15 a 20 vezes os níveis seguros da Organização Mundial de Saúde em três cidades indianas – Delhi, Varanasi e Lucknow. O tráfego foi “proibido” e projetos de construção tiveram que ser interrompidos em Pequim, pois uma densa camada de ar sujo desceu sobre o norte da China.

Em Katmandu, no Nepal, e Cabul, no Afeganistão, onde a poluição fica presa em vales das cidades, os hospitais têm sido lotados com pessoas que sofrem de doenças respiratórias e cardíacas.

“É uma situação terrível”, disse um morador Tehrani, que pediu para não ser identificado. “Você vê um monte de pessoas idosas com problemas. As pessoas ficam confusas. Você ficar preocupado com as crianças. As pessoas não sabem se as escolas vão abrir. As pessoas querem sair, mas eles não podem. A pior coisa é que você não pode escapar ou fazer qualquer coisa sobre isso.”

O número de carros triplicou em Teerã e também em muitas outras cidades asiáticas em expansão nos últimos 10 anos. As autoridades sabem que a indignação dos moradores, por causa dessa nuvem crescente de sujeira que cai sobre a região no inverno, mas eles parecem politicamente paralisados.

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As mulheres usam máscaras de protecção contra a poluição em uma rua no norte de Teerã, em Dezembro de 2015. Foto | Vahid Salemi AP

“No papel, as soluções são fáceis. Precisamos de menos gasolina, carros de padrão mais elevado. Precisamos rever o sistema de transporte, aumentar a capacidade do metrô, evitar que mais pessoas venham para o centro da cidade. A população poderia alternar no seu dia dia a maneira de se transportar, mas eles compram dois carros “, disse Kaveh Madani, um professor iraniano na gestão ambiental do Centro de Política Ambiental, Imperial College London.

Pequim, que foi sinônimo de poluição por 20 anos, tem ido mais longe do que todas as capitais da Ásia para eliminar a poluição do ar, comprometendo-se em 2014 a gastar US$ 76 bilhões para limpar o seu ar persistentemente tóxico.

Depois de ser humilhado antes dos Jogos Olímpicos de 2008, Pequim mudou algumas de suas fábricas mais poluentes e fechou suas usinas de energia movidas a carvão, substituindo em grande parte de aquecimento de carvão por gás natural. Mas, apesar de jogar recursos financeiros e políticos para o problema, ele foi forçado a emitir um alerta “laranja” de poluição na semana passada, o segundo mais alto.

Leia aqui sobre o primeiro alerta vermelho que Pequim emitiu.

Uma nova pesquisa feita na semana passada, confirmou que a Índia pode ser mais poluída do que a China pela primeira vez. De acordo com dados da Carga Global de projeto de Doenças da Universidade de Washington, havia 3.283 mortes prematuras por dia na Índia em 2015, como resultado de material particulado e poluição pelo ozônio, em comparação com 3.233 mortes na China. Isso se compara com um pouco mais de mil mortes por dia na Europa e os EUA combinados.

Os dados recolhidos a partir de mais de 770 fontes e analisados por quase 2.000 colaboradores em 125 países mostram que o número de mortes ligadas ao mau ar aumentou 24% em 10 anos na Índia, tornando 2015 o pior ano já registrado. Mas na China, as mortes por poluição de ar têm sido mais ou menos estabilizadas em valores desde 2005.

Pequim, segundo o estudo, foi removido, com sucesso, dezenas de milhares de veículos antigos e cortado cerca de 40.000 toneladas de poluentes por ano. Nova Deli, por outro lado, está ainda lutando para impor uma proibição de veículos a diesel.

O relatório GBD em análise da reportagem do Greenpeace Índia no início deste ano de medições de partículas com base em satélites. “Isso mostra que os esforços sistemáticos da China de mais de 10 anos de luta contra a poluição do ar, tem alcançado uma melhora impressionante – embora os níveis de poluição continuam assustadoramente elevadas”, disse um porta-voz.

“Entre 2005 e 2011, os níveis particulares de poluição na China aumentaram cerca de 20%. 2011 foi o pior no registro para a China, mas houve uma melhora dramática em relação a  2015, enquanto que os níveis de poluição da Índia, constantemente se deslocam para cima”, disse o Greenpeace.

Capitais como Nova Deli e Pequim têm dinheiro e influência política para combater a poluição dentro de seus limites, mas são incapazes de verificar a poluição nas fronteiras, que podem ter origem a centenas de milhas de distância, mesmo em outros países. Esta semana, a Índia culpou fazendeiros do Punjab do Paquistão de grande parte da poluição de Delhi pela queima de restos.

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Meninos jogam críquete na névoa pesada em uma manhã de inverno frio em Kolkata, na Índia, em Dezembro de 2015. Foto | Rupak De Chowdhuri Reuters

De forma alarmante, cidades asiáticas menores sofrem poluição tão ruim ou pior do que em Deli ou Pequim. A Índia tem a metade das 20 cidades mais poluídas do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e, o Greenpeace diz, é um problema crítico em 15 das 17 das principais cidades da Índia.

A maioria das cidades asiáticas também tem capacidade muito limitada para controlar a poluição e não pode dar aos cidadãos aviso em tempo real dos episódios. Considerando que a China tem 1.500 estações online de monitorização da poluição em 900 cidades, a Índia tem apenas 39 estações em 23 cidades. Mais de 70% mostraram poluição acima dos limites de segurança.

Mas há fortes indícios de que os países e organismos mundiais agora entendem que a poluição do ar é uma praga moderna para os países em desenvolvimento, matando mais pessoas do que em guerras, freando o desenvolvimento econômico e a criação de populações urbanas perigosamente insalubres.

Em um grande estudo dos custos econômicos da poluição do ar, o Banco Mundial deste ano constatou que em 2013 a China perdeu quase 10% de seu PIB, India 7,69% e Sri Lanka e Camboja, cerca de 8% por causa da poluição do ar.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de um em cada 10 mortes por ano em todo o mundo estão agora associados com a poluição do ar, tanto de fontes domésticas e externas, e 85% das pessoas no mundo inteiro estão expostos à poluição que ultrapassa as diretrizes de qualidade do ar da OMS para as partículas finas.

“A magnitude do perigo da poluição do ar é enorme”, disse Anthony Lake, diretor-executivo da agência das crianças da ONU, Unicef, que calcula que 300 milhões de crianças vivem em áreas com níveis altamente tóxicos da poluição do ar exterior.

“Nenhuma sociedade pode dar ao luxo de ignorar a poluição do ar. Protegemos nossos filhos quando protegermos a qualidade do nosso ar. Ambos são fundamentais para o nosso futuro”, disse ele.

Referência: The Guardian

*Esse texto foi alterado para português para melhor entendimento dos leitores

Texto* | Catarina Schmitz Feijó

Uma nova lei promete deixar Paris mais verde: Qualquer cidadão que tiver interesse, poderá se apropriar de um espaço público para plantio orgânico, mediante solicitação prévia. Com a operação “du vert près de chez moi” (o verde mais perto de mim), os parisienses serão capazes de plantar jardins e hortas por toda a cidade.

Para não “fugir do controle”, é necessária uma autorização pela prefeitura, mas eles estão estimulando a sociedade, para que todos tenham projetos criativos deixando a cidade luz ainda mais bonita e sustentável, além de ajudar a criar laços sociais entre os vizinhos.

Todas as ideias de plantio são bem-vindas: hortas, jardins verticais, telhados verdes, canteiros de flores, qualquer coisa que a imaginação permitir: Tais como os exemplos abaixo:

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O processo para aplicar para uma licença é fácil, o pedido é feito com alguns cliques através do site da prefeitura, e fica pronto em um mês. Após a autorização o habitante assina uma ”Carta de Vegetação” se comprometendo a usar plantas locais que promovam a biodiversidade de Paris, a utilizar métodos sustentáveis, sem recorrer a pesticidas, ou coisas do tipo, além de garantir a estética e manutenção de suas plantas e materiais. E logo recebe um kit de plantio, incluindo solo e sementes fornecido pela prefeitura, como incentivo.

A licença para plantio é emitida para o desenvolvedor do projeto por um período de 3 anos, que pode ser automaticamente renovável. A autorização não se destina a projetos de espaço privado, nem a espaços verde existentes (parques, jardins, praças), a ideia é criar novos jardins urbanos, em áreas que não eram aproveitadas anteriormente.

O objetivo da prefeita de Paris, Anne Hidalgo é criar 100 hectares de novos espaços verdes até o ano de 2020, sendo um terço da vegetação dedicada à agricultura.

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Referências: Paris; Sustentarqui

Texto* | Catarina Schmitz Feijó

CONHEÇA A CAPSULA MUNDI

Capsula Mundi é um projeto cultural e de base ampla, que prevê uma abordagem diferente para a forma como pensamos sobre a morte. É um pod em forma de ovo, uma forma antiga e perfeita, feita de material biodegradável, onde nossos entes queridos falecidos são colocados para o enterro. As cinzas seão colocadas em pequenas Capsulas enquanto os corpos serão estabelecidas em posição fetal em pods maiores. O pod irá, em seguida, ser enterrado como uma semente na terra. Uma árvore, escolhido em vida pelo falecido, serão plantadas em cima dela e servirão como um memorial para os falecidos e como um legado para a posteridade e para o futuro do nosso planeta. Família e amigos vão continuar a cuidar da árvore à medida que cresce. Cemitérios vão adquirir um novo olhar e, em vez de a paisagem fria e cinzenta que vemos hoje, eles vão crescer em florestas vibrantes, florestas sagradas.

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COMO A CAPSULA MUNDI SURGIU

Em uma cultura distante da natureza, sobrecarregada com objetos para as necessidades da vida diária e focado na juventude, a morte é muitas vezes tratada como um tabu. Os designers acreditam que esta passagem inevitável, de modo significativo, não é o fim, mas o início de um caminho de volta à natureza. Inspirado por estas reflexões, decidiram redesenhar o caixão – um objeto inteiramente deixadas de fora do mundo do design – usando materiais ecológicos, e os símbolos vida laicos e universais, tais como o ovo e a árvore.

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UMA MENSAGEM UNIVERSAL

O ciclo de transformação biológica é o mesmo para todos os seres vivos. É tempo dos seres humanos realizarem a nossa parte integrada na natureza. Capsula Mundi quer enfatizar que somos uma parte do ciclo de transformação da natureza. Este conceito universal vai além de tradições culturais e religiosas. Apenas uma árvore, um símbolo da ligação entre o céu e a terra, vai marcar o local de descanso do falecido. Após árvore ser plantada, o cemitério vai se tornar uma floresta, livre dos motivos arquitetônicos que marcam motivos memoriais de hoje. O cemitério será transformado em um lugar de natureza, um onde as famílias podem passear e aprender sobre o mundo natural, onde as comunidades vão reunir-se para cuidar e cuidar de árvores. Em suma, ele se tornará uma floresta sagrada.

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Raoul Bretzel e Anna Citelli, os designers.

LIMITAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL

Atualmente, para fazer um caixão, uma árvore deve ser cortada. O caixão tem um ciclo de vida curto e um forte impacto ambiental. Uma árvore leva entre 10 e 40 anos para atingir a maturidade e o caixão é de utilização de apenas três dias! O melhor é plantar árvores em vez de cortá-las para baixo! Além disso, recipientes Capsula Mundi são feitos de material biodegradável 100% e vêm a partir de substâncias naturais.

E ai, o que acharam? Achamos demais!

Referências: Capsula Mundi

AGRICULTORES APOSTAM NA AGRICULTURA BIODINÂMICA

Método vai além do orgânico, com uma visão integrada da propriedade. Parreirais são cultivados seguindo o calendário astronômico

O hábito de observar o calendário astronômico agrícola durante o manejo da cultura é uma prática antiga que vem sendo resgatada por agricultores gaúchos. O movimento é mais forte na viticultura, na qual os produtores têm buscado o equilíbrio da produção por meio da agricultura biodinâmica. Preocupados com a sustentabilidade, os produtores de uva abrem mão do uso de químicos e apostam na aplicação de preparados feitos à base de resíduos vegetais, animais e minerais que reativam as forças vitais da natureza.

A reportagem que saiu na Zero Hora, no Campo e Lavoura, conta como funciona o manejo biodinâmico em visita à propriedade da vinícola Don Giovanni, de Pinto Bandeira, que está em processo de conversão dos vinhedos. O dia 8 de outubro, data em que a lua entrou em posição ascendente, foi marcado pela elaboração do preparado feito de esterco fresco de vacas em lactação. O composto orgânico, enterrado havia seis meses dentro de 16 chifres, foi desenterrado e diluído em água para aplicação nas plantas.

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Chifres com esterco são desenterrados seguindo o calendário astronômico, quando a lua entrou em posição ascendente. Foto: Camila Domingues | Especial/Agência RBS

O agrônomo Jefferson Sancineto Nunes, consultor da vinícola Don Giovanni e entusiasta da agricultura biodinâmica, explica que o uso do chifre de vaca como recipiente para depositar o esterco ocorre porque seu formato ajuda a preservar a energia por ter um orifício menor do que o de touro, que é totalmente oco. Em seu lugar poderia ser utilizado casco de animais. — Buscamos, com isso, aumentar a vitalidade do solo e melhorar a fertilidade — detalha Nunes.

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Preparado de esterco que será aplicado no vinhedo é retirado do chifre, que foi enterrado há seis meses, durante o outono. Foto: Camila Domingues | Especial/Agência RBS

No caso do preparado chifre-esterco, enterrado no outono e desenterrado na primavera, o cuidado é direcionado ao solo e às raízes das plantas, ampliando a vitalidade e o equilíbrio, e favorecendo a brotação. A recomendação é aplicar duas vezes ao ano. Já o preparado chifre-sílica, feito à base de cristais de quartzo, é enterrado no verão e desenterrado no outono. Este último tem como função intensificar os efeitos da luz solar e deve ser aplicado nos parreirais pelo menos cinco vezes ao longo da safra.

Assista ao vídeo:

http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/campo-e-lavoura/2016/10/produtores-gauchos-apostam-viticultura-biodinamica/169441/

 

Referência: Zero Hora

Paisagismo: a chave para o futuro de nossas cidades

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A terceira parte do High Line em Nova York | Imagem: Iwan Baan, 2014

Desfrutar do tempo livre em espaços públicos bem desenhados é um dos aspectos mais importantes para a maior parte dos que vivem em uma cidade. Então, por que é investido tão pouco tempo e dinheiro para seu desenho? Neste artigo, publicado originalmente na revista Metropolis com o título “Designing Outdoor Public Spaces is Vital to the Future of our Cities”, Kirt Martin, vice-presidente de Design e Marketing do escritório de mobiliário urbano Landscape Forms, afirma que o paisagismo e o design industrial focados no setor público são a chave para a saúde e a felicidade das cidades.

Todos apreciamos nosso tempo em espaços abertos. Mas por que prestamos tão pouca atenção em seu desenho?

Como designer de mobiliário urbano, sempre tenho curiosidade sobre quanto as pessoas apreciam os espaços ao ar livre. Eu gosto de ter como tema de conversa perguntas sobre a descrição de grandes cidades como Nova Iorque, Chicago ou Paris e o que ficou marcado na memória dos visitantes quando estiveram ali. Se este não é o caso, pergunto onde iriam e o que fariam se ganhassem  $25,000 para gastar nas férias sonhadas. Suas melhores experiências em uma cidade célebre ou em uma paisagem natural sempre têm algo em comum, exceto por um ponto: aquelas que são mais memoráveis sempre têm como cenário os espaços ao ar livre. 

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A coleção Multiplicidade desenhada por Yves Behar e fuseproject |Imagem cortesia: Landscape Forms

Temos estudos que demostram que as pessoas tendem a ser mais saudáveis, mais felizes e ter uma vida mais duradoura em áreas com acesso a natureza, incluindo espaços urbanos com áreas verdes. Os espaços ao ar livre são os menos custosos para criar e os que geram a mais alta rentabilidade – levando em conta aspectos como a melhora da vida em comunidade, saúde e riqueza, além da geração de atividades econômicas nas áreas circuncidantes. Com um número crescente de pessoas que se refugiam em cidades – desde jovens profissionais até aposentados – os espaços públicos verdes e a vibrante paisagem urbana são considerados fatores chave que atraem tanto os residentes como negócios.

Apesar disso, não damos aos espaços livres o mesmo valor e suporte econômico que conferimos aos edifícios e interiores. Calculamos o valor em dólares por metro quadrado dos edifícios e interiores mas não valorizamos os metros quadrados das áreas livres. Não conta-se com uma análise de viabilidade econômica para o desenho de espaços exteriores, quando poderia e deveria ser realizada. Considero também que o desenho e inovação nas áreas exteriores públicas e privadas é um tema pendente, e o primeiro passo para assumir este desafio é melhorar as habilidades e talentos dos arquitetos paisagistas, os profissionais melhor preparados para desenhar estes espaços. 

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Cloud Gate de Anish Kapoor, escultura no Millennium Park em Chicago | Imagem: Urban Land Institute

Chegou o momento da história em que a arquitetura da paisagem tem algo muito importante para dizer, e devemos escutar. Os arquitetos paisagistas aplicam uma disciplina baseada no pensamento holístico. Eles entendem o ambiente natural, o ambiente construído e as relações entre ambos. Além do mais, estão preparados para assumir a liderança no desenho de espaços exteriores e captar a atenção do público nos mesmos.

Recentes projetos destacados como o High Line e o Millennium Park criaram fortes laços com a comunidade local, e os famosos urbanistas responsáveis por estes projetos suscitaram o interesse do público. Entretanto, ainda existe uma grande legião de paisagistas talentosos e inspirados que deveriam ser parte primordial do desenho e visualização dos espaços exteriores.

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Sistema de Reciclagem do Central Park desenhado por Landor Associates | Imagem cortesia: Landscape Forms

Este também é um momento no qual a história desempenha um papel útil para a arquitetura da paisagem. Nós que somos provedores de mobiliário urbano, partícipes do desenho e ativação dos espaços exteriores, devemos formar parte deste desafio, e estou disposto a assumi-lo buscando os meios para garantir a rentabilidade de espaços exteriores desenhados em términos de comunidade, identidade, bem-estar, meio-ambiente e economia. Estou focado em liderar a inovação junto com soluções graduais mais além de elementos padrões como lixeiros, estacionamento para bicicletas e bancos, para ajudar as pessoas a desfrutarem de experiências inesquecíveis ao ar livre. Os exteriores iniciam no exato momento em que saímos das nossas portas, por isso são requeridas novas ideias para os espaços adjacentes aos edifícios. É necessário também integrar a tecnologia aos espaços públicos, respeitando as qualidades especiais de cada contexto.

Me sinto entusiasmado por este esforço e acredito que, com a colaboração de paisagistas e outros profissionais do design na indústria do mobiliário urbano, podemos suscitar interesses e promover um maior investimento em espaços exteriores que criem memória e significado. Juntos podemos criar uma verdadeira mudança na paisagem urbana, que é o nosso futuro.

Kirt Martin é vice-presidente de Design e Marketing de Landscape Forms, liderando as equipes criativas de desenvolvimento de produto, marketing e comunicações desta companhia. Martin é um premiado designer industrial que dirigiu previamente a área de designer em Turnstone, uma divisão de Steelcase.

Referências: Archdaily

 

Bill Mollison: o “Pai” da permacultura

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Bill Mollison

Bruce Charles ‘Bill’ Mollison, nascido em 1928 em Stanley, Tasmânia, Austrália, morreu no dia 24 de setembro de 2016, com 88 anos de idade em Hobart, na Austrália, onde viveu os seus últimos anos.

Foi considerado como herói para aqueles que os conheciam e desconhecido para a grande maioria, até que um dia a sua influência se dispersou pelo mundo e ele ficou conhecido como o “pai” da Permacultura, deixando um legado de movimento mundial de resiliência, notável. Ele deixou muita informação útil, orientações e incentivos para aqueles que irão sentir falta dele.

Bill Mollison foi um dos mais influentes pensadores do mundo em abordagens lideradas para o desenvolvimento sustentável. Quando pequeno começou a trabalhar na padaria da família, e sempre foi muito determinado, aos 26 anos se uniu ao CSIRO (Organização para a Pesquisa Científica do Reino Unido) onde ganhou amplo conhecimento de investigação e pesquisa.

Ao retornar ao trabalho de campo, no fim dos anos 60, descobriu que nós, humanos, poderíamos projetar sistemas sustentáveis ​​que permitissem viver dentro do nosso sistema, mas amigável com o ambiente. Bill morava numa pequena vila no interior da Tasmânia, onde pescava, plantava e criava animais para sua alimentação. Ao mesmo tempo trabalhou com a Comissão de Pesca e voltou à Universidade.

Ao receber seu diploma em bio-geografia, ele foi nomeado para a Universidade da Tasmânia, onde mais tarde desenvolveu a unidade da Psicologia Ambiental. Ele foi professor da Universidade da Tasmânia em 1974, junto com David Holmgren, onde fizeram uma pesquisa para resgatar os saberes ancestrais e os modos tradicionais do relacionamento com a terra criando a Permacultura.

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David Holmgren | Bill Mollison

A pesquisa culminou em uma publicação em 1978 dos livros Permacultura Um, e um ano depois, o livro Permacultura Dois. O conteúdo dos livros defende o conceito de “trabalhar com, e não contra a natureza”, e informações úteis, como produção de alimentos, favorecendo o cultivo de espécies adaptadas às condições locais. O sistema adota técnicas ambientalmente amigáveis, incluindo a renúncia da utilização de produtos químicos, projeto do jardim pensativo ou regenerativo, imitando os ecossistemas naturais e incorporando a reciclagem e a utilização de resíduos.

Bill deixou a Universidade em 1978, e fundou o http://permaculturenews.org/ Permacultura Institute, onde formou diversos profissionais e dedicou todas as suas energias para promover o sistema de Permacultura e difundir a ideia e princípios em todo o mundo. Ele ensinou milhares de estudantes, e contribuiu com muitos artigos, relatórios e recomendações para projetos de parques, aglomerados urbanos e órgãos governamentais locais. Reconhecido com diversos prêmios, entre eles em 1981 o Right Livelihood Award http://rightlivelihoodaward2016.org/  (Prêmio da Sustentabilidade) – chamado de “Prêmio Nobel Alternativo”.

Bill sempre esteve comprometido em perturbar o “status quo” da gestão insensível e equivocada que temos. Ele dizia “Primeiro sentimos medo, em seguida, ficamos com raiva. Então vá com a sua vida para a luta”. Ele era eloquente sobre a necessidade de “guerreiros pacíficos”, como ele os chamava para desafiar a estupidez de maus-governos em uma escala global. Seus próprios medos sobre ser ineficaz foram equivocados: “Ninguém prestava atenção em mim e até mesmo meus amigos sempre me criticaram”. Mas na realidade, ele engrenou uma relação global que irá resistir e crescer com os outros e desenvolver seus pensamentos.

O legado de Bill é que centenas de milhares de antigos alunos criaram uma rede mundial para tomar o seu conceito para a frente. Este é um mundo em que estamos bem conscientes do nosso meio ambiente, sua capacidade e suas limitações, e nós projetaremos sistemas para atender às necessidades humanas e respeitar isso.

Fica aqui nossa homenagem e consideração a ele. Obrigada Bill, pelos dizeres, pelas ideias compartilhadas, ensinamentos e pela necessidade da vontade que muitos de nós ficamos por conhecer esse projeto incrível que é a Permacultura. <3

Referências: permaculture research institute, sustentarqui, ecotelhado;

20 INGREDIENTES PARA SE EVITAR DE COMPRAR PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS

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Cada vez mais, pessoas no mundo inteiro, estão dando maior atenção à alimentação pois estão se informando de que a alimentação é a base da boa saúde. Fala-se até de uma crise na indústria alimentícia nos Estados Unidos, o país inventor do fast food e da comida industrializada, prática, rápida, gostosa, mas… nada saudável.

Saber ler os rótulos dos alimentos não é uma tarefa fácil. Muitos ingredientes parecem inofensivos e a lista de ingredientes a se evitar é enorme, ultrapassa os 20 aqui descritos. Para simplificar tudo, a regra é simples: cozinhe em casa e evite ao máximo comprar comida industrializada. Mas ainda assim, segue uma lista para ajudar o leitor a comprar da melhor maneira possível.

A lista é do site Prevent Disease.

  1. Aromatizantes artificiais

Para dar aquele sabor especial (ou melhor, para esconder o sabor horrível que a comida industrializada teria) servem os aromas artificiais, que são verdadeiros produtos químicos, feitos em laboratórios e que nada têm de nutritivo para nos oferecer. Acusados de causar várias doenças (câncer e toxidade de vários tipos) é difícil fugir dos aromatizantes artificiais comprando produtos prontos: eles estão em pães, biscoitos, iogurtes, snacks, chocolates, ou seja, em tudo, pode-se dizer.

  1. Trigo enriquecido

O trigo, deve ser evitado por si só, pois contém substâncias tão nocivas quanto as drogas. Mas não pense que comprar trigo enriquecido com ferro, ácido fólico, etc é melhor. Na verdade é tudo tão artificialmente construído que o melhor a se fazer é mesmo evitar esta maquiagem. Se você leu o artigo acima sobre a crise da indústria alimentícia nos Estados Unidos, irá perceber que tudo é um truque para fazer com que o consumidor acredite no benefício do produto quando nutricionalmente ele não tem nada de digno.

  1. Óleos hidrogenados

É o resultado de um processo que envolve o aquecimento do óleo seguido de um rápido resfriamento para deixá-lo sólido, útil para a indústria alimentícia. O processo resulta em um óleo extremamente tóxico para o consumo humano, conforme alegam especialistas. Evite qualquer produto que contenha a palavra “hidrogenada” em seu rótulo.

  1. Glutamato monossódico

Dizem que se trata de um veneno lento que leva outros nomes além de glutamato, visto que este é um nome já associado à palavra malefício. Aroma natural, extrato de levedura, extrato de levedura autolisada, guanilato dissódico, inosinato dissódico, caseinato, proteína texturizada, proteína de ervilha hidrolisada e muitos outros. Além deste ingrediente não trazer nenhum beneficio à saúde, o glutamato monossódico estaria ligado ao desenvolvimento de váriasperturbações neurológicas, convulsões, infecções, desenvolvimento neural anormal, distúrbios endócrinos, obesidade, entre tantas outras doenças.

  1. Açúcar

O “ingrediente maldito” estaria ligado à problemas metabólicos, de aumento da pressão arterial, alteraria de forma significativa a sinalização de hormônios e causaria sérios danos ao fígado. O problema seria a quantidade consumida e, em produtos industrializados, a quantidade é realmente uma coisa difícil de individualizar.

  1. Xarope de milho rico em frutose

High-fructose corn syrup (HFCS na sigla em inglês) é um adoçante com alto teor de frutose que causa resistência insulínica, diabetes, hipertensão, aumento de peso e seria indicado como muito pior que o açúcar, sem falar nos casos em que é feito de milho geneticamente modificado.

  1. Benzoato de potássio e ou Benzoato de sódio

É um conservante e está também por toda a parte: em salsas para saladas, geleias, azeitonas, pickles. Acredita-se que o benzoato de sódio seja cancerígeno se associado ao acido ascórbico, vitamina C, pois formaria a substância tóxica chamada benzeno.

  1. Corantes artificiais

Muitos corantes amplamente usados pela indústria de alimentos estão relacionados ao câncer. Eles são usados para colorir tudo, bebidas e comidas e alguns estudos relacionaram em laboratório, o uso de vários corantes ao câncer em ratos.

  1. Acesulfame-K

Acesulfame-K, também conhecido como acesulfame de potássio, é um adoçante dietético. Apesar de ter sido aprovado pela FDA em 1988, um dos problemas relacionados ao consumo deste aditivo alimentar é a suspeita dele poder causar tumores benignos na tireóide.

  1. Sucralose

A substância utilizada em adoçantes artificiais é simplesmente um açúcar clorado; um cloro carbono que seria incompatível com nosso metabolismo. Apesar de serem aprovados pelos órgãos de sanidade, incluindo a FDA, muitas pessoas preferem evitar qualquer tipo de adoçante na dúvida e na espera de que estudos confirmem os malefícios até então infundados.

  1. Aspartame

O mesmo serve para o aspartame, presente em gomas de marcar, por exemplo. Há evidências de que seja cancerígeno embora aprovado pela FDA.

  1. BHA e BHT

Hidroxianisol butilado (BHA) e hydrozyttoluene butilado (BHT) são utilizados para conservar alimentos comuns. São encontrados em cereais, gomas de mascar, batatinhas fritas e óleos vegetais. O problema destes conservante é de que seriam oxidantes, potencialmente causadores de câncer.

  1. Galato de propilo

Um outro conservante muitas vezes usado em conjugação com o BHA e BHT. Às vezes, é encontrado em produtos de carne, base de sopa de frango e em gomas de mascar. Estudos têm sugerido que a substância poderia estar ligada ao câncer em animais, provavelmente em adultos também. 

  1. Cloreto de sódio

É o famoso sal. Nos produtos industrializados o problema seria individualizar aquantidade e a qualidade do sal utilizado.

  1. Soja

Embora seja muitas vezes vendida como alternativa saudável à carne, sem colesterol e com baixo teor de gordura, a soja pode não ser tão boa para a saúde. Os problemas estariam ligados à diminuição da fertilidade, ao desequilíbrio de estrogênio em mulheres, a um menor desejo sexual e a desencadear a puberdade precoce em crianças. A soja também poderia desequilibrar os ácidos graxos ômega-6 e ômega-3 no organismo.

Os produtos saudáveis de soja seriam somente os fermentados e os orgânicospois a maioria absoluta da soja é transgênica. Evite produtos industrializados que contenham soja em suas composições.

  1. Milho

A percentagem de milho geneticamente modificada no mercado é demasiadamente elevada. Fuja de rótulos que contenham como ingredientes: amido de milho modificado, dextrose, maltodextrina, óleo de milho pois a possibilidade de ingerir OGM é altíssima.

  1. Sorbato de potássio

Um dos conservantes mais usados na indústria de alimentos é suspeito de causar câncer pois alguns estudos demonstraram efeitos cancerígenos e tóxicos a curto prazo em animais, mas não existem estudos de longo prazo em humanos que sejam suficientes para a acusa ou absolvição da substância. Em todo o caso, seria melhor evitar este e qualquer outro conservante.

  1. Lecitina de soja

Todo mundo já ouviu falar sobre a lecitina de soja, amplamente usada comoemulsificante pela industria de alimentos em margarinas, chocolates, cereais, etc. Além do problema da soja transgênica, a lecitina é considerada por muitos como um subproduto que contém solventes e pesticidas e o processo de extração da lecitina mais usado pela indústria hoje, é feito por meios mecânicos ou químicos, utilizando hexano, um componente tóxico presente na gasolina.

  1. Polissorbato 80

É um tensoativo e um emulsificante frequentemente usado em alimentos como sorvetes e em cosméticos. É acusado de acelerar o amadurecimento, provocar alterações na mucosa da vagina e do útero, causar alterações hormonais, deformidades no ovário e folículos degenerativos.

  1. Óleo de Canola

Apesar de ser rico em ômega-3, há quem diga que o óleo de canola é tóxico para os seres vivos e um excelente repelente de insetos. É um óleo industrial extraído de uma planta geneticamente modificada. Marco Torres, em seu artigo no Prevent Disease, diz que o governo canadense pagou ao FDA para ter o óleo de canola na GRAS List, a lista dos ”geralmente reconhecidos como seguros”. Marco Torres é especialista em pesquisa e escritor formado em Saúde pública e ciência ambiental.

Referências: GreenMe

NOVA INFRAESTUTURA DO BANCO ASIÁTIDO DE INVESTIMENTOS COMEÇA A CONSTRUIR UM FUTURO VERDE:

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Um projeto financiado pela AIIB tem por objetivo melhorar as favelas na Indonésia. | Foto: Budi Nusyirwan | Flickr

Pessoas assistiram de perto quando a China lançou o “Asian Infrastructure Investment Bank” (AIIB) no ano passado. O novo banco de desenvolvimento multilateral ostentava um capital inicial de US $ 100 bilhões, uma associação de fundação de 57 países (com 24 na espera para se juntar no final deste ano), e um mandato para ser “lean”, limpo e verde. Após a sua primeira reunião geral anual, parece que a AIIB está começando a se mover em uma direção positiva.

Quem participou das reuniões recentes, pode escutar funcionários do banco sênior falando sobre a nova ambição do banco de investimento em infraestrutura. Ficou claro que AIIB tem uma enorme oportunidade para promover infraestrutura verde e inaugurar o desenvolvimento sustentável nos países em todo o mundo.

A necessidade de Infraestrutura Verde

Está bem documentado que a infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico, e que os gargalos da infraestrutura dificultam o crescimento econômico. Devido à falta de investimento, há uma enorme lacuna no fornecimento de infraestrutura em muitos países. Um estudo recente da McKinsey Global Institute revela que a partir de 2016 até 2030, o mundo precisa investir cerca de 3,8% do PIB em infraestrutura econômica, ou uma média de US $ 3,3 trilhões por ano, apenas para apoiar uma taxa de crescimento do PIB médio global de 3,3%. Um relatório anterior da Nova Economia do Clima previu que até 2030, o mundo precisa investir US $ 89 triliões de novas infraestruturas em toda a cidades, o uso da terra e sistemas de energia. Os governos e os bancos de desenvolvimento existentes não têm recursos suficientes para enfrentar esta lacuna, assim a necessidade de novos bancos de desenvolvimento como AIIB e alavancar o capital privado.

Ao mesmo tempo, sabemos que precisamos de limitar o aumento da temperatura global a 2 °C (3.6 graus F), ou, melhor ainda 1,5 °C (2,7 graus Fahrenheit), acima dos níveis pré-industriais para evitar os piores efeitos da mudança climática. Portanto nova infraestrutura construída no futuro tem de ser de baixo carbono e resistente às alterações climáticas, e também tem de ser adaptado para as necessidades dos pobres.

A AIE estima que US $ 53 trilhões em investimento acumulado no fornecimento de energia e na eficiência energética é necessário entre agora e 2035, a fim de obter o mundo para um caminho 2 °C. Além disso, cerca de US $ 300 bilhões em investimentos de combustíveis fósseis pode ser deixado de lado por políticas climáticas mais fortes. Todas as instituições financeiras devem, portanto, ter a mais limpa e mais segura tecnologias de energia e opções de transporte sustentáveis ​​em suas listas de prioridades. Na conferência, AIIB presidente e executivos seniores tranquilizou o público que o verde vai ser a marca do AIIB, e definiu três critérios para os seus projetos: financeiramente viáveis, ambientalmente benignos e socialmente aceitáveis (os 3 pilares da sustentabilidade).

Então, como é que o banco está indo tão longe em viver à altura das expectativas e dos seus próprios objetivos?

Os quatro projetos AIIB assumiu até agora, – que foram aprovadas pelo Conselho nessa semana de reuniões – reivindica trazer o rótulo verde: Atualizar um sistema de distribuição de energia elétrica e projeto de expansão em Bangladesh irá reduzir a perda sistêmica e melhorar a qualidade e confiabilidade da energia que fornecem; um projeto nacional da autoestrada no Paquistão irá fornecer o transporte rentável de apoio ao desenvolvimento econômico e social; um projeto de urbanização de favelas na Indonésia irá melhorar o acesso aos transportes urbanos e serviços de gestão de resíduos sólidos; e um projeto de melhoria de estrada no Uzbequistão vai melhorar a mobilidade e conectividade com o Tajiquistão.

Uma estrada de oportunidades

É um bom começo, mas o AIIB ainda tem um longo caminho pela frente para viver de acordo com seus objetivos. Para alcançar o “lean” é relativamente fácil; para ser limpo não é difícil. Mas, para ser verde vai ter um monte de esforço.

Uma das oportunidades está em trabalhar com os governos nacionais e os bancos de desenvolvimento nacionais para encontrar maneiras de ajudar os países a alcançar os seus planos de redução de emissões pós-2020, ou destinados contribuições determinados a nível nacional (INDCs). Ao trabalhar com governos nacionais para desenvolver planos nacionais de crescimento verde, realizar as reformas estruturais necessárias e colocar em prática regimes institucionais conducentes, AIIB podia se mover em direção ao seu objetivo de promover a sustentabilidade e fazer uma grande contribuição para a luta contra as alterações climáticas. Um passo concreto para tomar é, talvez, comprometendo-se a um alvo de investimento verde – um percentual de sua “carteira de investimentos” em projetos verdes. Isso é algo que já foi iniciada por outros bancos multilaterais de desenvolvimento.

AIIB também desenvolveu um quadro ambiental e social que delineia uma visão para apoiar o crescimento verde e proteger as pessoas vulneráveis ​​e os ecossistemas dos danos associados aos investimentos. O que está à frente é adquirir conhecimentos e se envolver com o conjunto diversificado de partes cívicas interessadas, sociais e políticos nos países que vão acolher projetos AIIB. Um aspecto importante neste corpo de trabalho é de divulgação de informações ao público, o que ajuda o banco a identificar e mitigar os riscos antes que se tornem material.

Se o que foi dito recentemente é bem feito, AIIB tem uma chance de se tornar um banco de desenvolvimento do modelo do século 21. Se as coisas vão mal, a reputação verde do AIIB poderia ser severamente danificada apenas decolando.

Referências: WRI